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sábado, 23 de abril de 2011

Lidando com não-mocinhos

Há alguns anos venho fomentando uma crítica muito particular a respeito da pena de morte, mas até então minha unica fonte de informações era um filme, que mesmo após alguns anos ainda me faz refletir.

Era uma sexta feira, e possivelmente já passava das onze horas da noite. Deitei em minha cama e resolvi ligar a televisão. O filme já havia começado, mas mesmo assim as cenas prenderam minha atenção. "Os últimos passos de um homem" - (Dead Man Walking/1995) narra a história de Matthew Poncelet, brilhantemente interpretado por Sean Penn. O título sugestivo talvez faça pensar que a história é sobre algum bom homem, injustiçado por algum vilão malvado.

E é justamente o fato de a história não ser tão previsivel que a torna tão cativante.

Sempre defendi a ideia de que não existem essas caricaturas de vilões e mocinhos, e que todos estamos sempre sujeitos as mais indignas sensações. Não sou nenhuma defensora de criminosos, mas creio que nenhum ser humano é passível de fraquezas e defeitos.

Matthew Poncelet se vê prestes a ser executado com uma injeção letal, acusado por ter assassinado dois adolescentes. Sua última e desesperada tentativa é conseguir a ajuda da freira Helen Prejean, interpretada pela atriz Susan Sarandon.

Helen Prejean nasceu em Baton Rouge, em 21 de abril de 1939, e é uma freira católica estadunidense. O filme é baseado em fatos reais, já que a freira trocou correspondências com Elmo Patrick Sonnier, sentenciado à cadeira elétrica por assassinato.

Após vivenciar de perto diversas histórias, de diversos homens que contavam os últimos momentos de suas vidas, Helen se tornou uma ativista contra a pena de morte e fundou a organização não-governamental Survive.

Até assistir o filme, eu particularmente nunca havia refletido sobre este assunto. Talvez porque no Brasil sejamos contemplados com uma Constituição que defende o direito a vida.

Não defendo a não punição, ou a imparcialidade. Tenho consciência de que pessoas que agridem, que roubam ou que cometem outros tipos de delitos devam se afastar do convívio social - mas seria a morte a solução dos problemas? Que tipo de vantagem isso traria para nossa sociedade?

Se tomarmos como base um sistema corrupto, onde os detidos são isolados em meios que estimulam ainda mais os piores instintos que possuem ou que simplesmente os ignoram, sem oferecer uma maneira de se recuperarem e se tornarem pessoas produtivas para sua comunidade... realmente, a pena de morte se mostra como uma solução plausível para o corte de gastos públicos, para a "eliminação do mal pela raiz".

Mas e se tomarmos como base um sistema eficiente, onde os detidos tenham acompanhamento psicológico, educacional e, porque não, religioso? Onde eles possam, ao invés de se tornarem gastos públicos, trabalharem e produzirem bens?

Pode parecer utópico. Claro, infelizmente ainda estamos presos àquele sistema corrupto e, porque não, fácil. Ora, é muito mais fácil manter tudo como está, e simplesmente deixar que a cada dia mais pessoas sejam presas, e soltas, e presas novamente.

Quantas "passagens" pela prisão uma pessoa tem que ter, até que o Estado perceba que esta não é a melhor maneira de lidar com pessoas?

Para ajudar a questionar a respeito deste tema, tive o prazer de assistir a peça "Doze homens e uma sentença", que também aborda o assunto sobre parâmetros diferentes dos quais estamos acostumados a lidar.

Aqueles que estiverem dispostos, aceito argumentos que me façam mudar de ideia...
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