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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Antinércia

Você já parou para pensar qual o sentido da sua vida?

Muitas pessoas com quem convivo vivem por inércia. Muitas vezes já tive que me dar safanões por quase me contaminar por essa maldita praga da passividade, que nos leva do nada para lugar algum.

Quando crianças somos condicionados a nos adaptar às condições impostas pela sociedade. Aprendemos que é bom comer verduras, que quem vai para a escola é bonzinho, e que crianças educadas ganham presente do Papai Noel no final do ano.

Mas com o passar dos anos... Somos obrigados a tomar conta de nossas vidas. Temos que tomar nossas próprias decisões, e as consequencias de nossos atos serão de responsabilidade nossa.

Mas e o medo de tudo dar errado? E o medo de sermos discriminados? Eis que somos levados por inércia, seguindo tudo o que nos foi ensinado que é certo e perfeito, sem criar nossas próprias concepções do que é melhor para nós mesmos.

Quem contesta que temos que fazer faculdade, porque uma pessoa graduada tem mais "chances" do que um jovem que trabalha no campo? Quem contesta que é possível ser feliz sem ser poliglota?

Ora, não que eu não goste de fazer faculdade. Gosto de aprender sim senhor - e muitos podem me abominar por isso. Tenho uma vontade imensa de dominar outras línguas!

Mas qual o sentido de ir a faculdade? Qual o sentido de fazer um curso de inglês?

Nos últimos dias, tenho notado que é cada vez maior o número de pessoas que não saberia responder a nenhuma das perguntas acima. Dezenas (para não dizerem que sou exagerada, nem coloco milhares) de pessoas vão a faculdade, fazem cursos, trabalham, dormem e acordam...vivem por viver. Sem um objetivo, sem um destino, sem um foco. Para não se sentirem acuadas, muitas dizem que fazem isso ou aquilo por dinheiro.

Será que o sentido da sua vida é o dinheiro também?

Para desencargo de consciência, reflita: e se tudo - tudo mesmo - acabasse, e só o que restasse fosse a sua conta bancária, ou o seu cofre em formato de porquinho. O que exatamente você faria em seguida? Brincaria de cara ou coroa com as moedas, ou faria origamis com as notas?

Existem pessoas que acreditam que o sentido de sua vida é o time de futebol.

Assisti a final do Paulista este ano. Me chamou a atenção um torcedor concentrado, que entoava a plenos pulmões que "vivia pelo time". CÉUS, e se o time, por alguma razão obscura, deixasse de existir? Claro que um time tão grande e com uma torcida tão fiel é praticamente eterno. Mas o Barueri, por exemplo...(ver em http://www.abril.com.br/noticias/esportes/futebol/barueri/oficialmente-barueri-deixa-existir-nasce-gremio-prudente-929787.shtml)

Existem pessoas que acreditam que o sentido de sua vida é outra pessoa.

Apaixonados, iludidos, enamorados. De modo geral, estes sofrem mais. Ao contrário do time de futebol eterno, eles sabem que a qualquer momento podem perder a razão de suas vidas.

Existem pessoas que acreditam que o sentido da vida é a religião.

Neste caso, o fanatismo acaba sendo uma consequencia. É uma pena que muitas vezes essas pessoas acabem vítimas de exploradores (àqueles, cujo sentido da vida é o dinheiro).

Eu poderia passar horas e horas, escrevendo linhas e linahs sobre diferentes estilos. Mas deixei por último aqueles com os quais me identifico mais, e que mais admiro.

Existem pessoas cujo sentido da vida é mudá-la, por meio de ideais.

São pessoas que não se apoiam em uma única base de sustentação, mas que tentam a cada dia construir novas maneiras de modificar a realidade alienada imposta pela sociedade. Pessoas que criam sonhos coletivos, utópicos talvez, mas que podem trazer bons resultados no futuro.

Essas pessoas, claro, não vivem por inércia. Elas regulam a intensidade das ações de acordo com a necessidade de cada situação, e buscam alcançar o bem comum.

Você é uma delas, pretende ser, ou quer passar o resto da vida se arrependendo pelo que deveria ter feito?
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