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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Defesa

Tive a oportunidade de conhecer alguns discursos de pessoas que expuseram suas opiniões sobre o que achavam das redes sociais e alguns acontecimentos dos últimos dias contribuíram para sustentar meus contra-argumentos a essas linhas de pensamento.

O primeiro caso é de um professor de Química que conheci quando era diretor de uma instituição. Ele confessou que fora citado tempos atrás por um estudante, que fizera-lhe falsas acusações: escrevera publicamente na rede que o diretor era ausente, dentre outras calúnias. Contrariado, o diretor excluiu sua página pessoal da rede e não tornou a incomodar-se com essas críticas que considerava descabidas.

Em outra ocasião li um artigo de uma famosa revista brasileira, em que o escritor criticava a rede criada por Mark Zuck, mostrando seu abomínio pelas mais diversas razões; fosse o fato de que os mortos não tinham suas páginas excluídas pós óbito, fotos de rapazes descamisados e, principalmente, o comércio.

Diante desses e outros argumentos contrários ao uso das redes sociais, me senti tentada a escrever algo em sua defesa.

Para início, me parece claro o poder de unificação das redes sociais. Unificação no que tange o compartilhamento de ideias, histórias, imagens e percepções. Há, incontestavelmente, a quebra de barreiras da tão aclamada individualidade - para nossa alegria. Tempos atrás ser privado, exclusivo, ter suas próprias coisas, ser único, eram mais do que qualidades. Tudo levava ao aumento do consumo, das desigualdades, das distâncias entre as classes. Ora, é sim muito otimismo meu crer que não haja mais esse tipo de ideologia. Mas o que são as redes sociais senão um ambiente onde não há espaço para isso?

Bem, é possível manter-se indivíduo na rede. Pode-se deixar informações restritas a si mesmo, ou aos amigos. Até mesmo eles podem ser "selecionados"! Mas, ao contrário da vida fora da rede, não há espaço para múltiplas personalidades e opiniões contraditórias em um "feed". Talvez haja espaço, mas pouco ânimo para administrar mil e uma...faces.

Já presenciei discussões de reclamantes sobre opiniões, fotos, vídeos e outras "bobagens". Noto que muitas vezes há dificuldade em assimilar que o conteúdo publicado nas redes sociais é nada mais do que uma versão do que temos todo o tempo, em todo lugar. Diante de publicações que de alguma forma desagradam as convicções e opiniões do usuário, tem-se duas alternativas: ignorá-las, excluí-las - quando possível -, ou confrontá-las, comentando o que lhes parecesse incoerente. Eis que, ao tomar esta última posição, o usuário assume um papel transformador, que nem sempre é prazeroso. A menos que suas convicções sejam claras, e que não haja dúvida sobre o que é opinado, a tarefa de convencer e compartilhar conhecimento pode ser desgastante. De forma alguma, porém, desnecessária. Na "pior" das hipóteses, o usuário seria convencido de que pode mudar de opinião... o que não é o fim do mundo.

Este compartilhamento de conhecimento não é visto com bons olhos por muita gente. Embora na teoria a aversão ao fascismo e nazismo prevaleça, o que vemos é que muitas pessoas tem desprezo por uma parte da população que tem acesso às redes sociais e que, finalmente, pode opinar sobre o que é visto e vivido. Como se alguns merecessem usar a rede e expôr seus pensamentos, enquanto outros, não. Provavelmente porque há muito o que ser escondido. Não é preciso esforço para lembrar-se de casos escusos que vieram à tona e tomaram grandes repercussões por conta das redes sociais: políticos com ideias repugnantes, problemas ambientais mascarados, governos e falsos governantes... Claro que os discursos podem ser manipulados, seja dentro ou fora das redes sociais. Mas com tantos usuários diferentes... cada um pode compartilhar - ou não - aquilo que acredita e defende.

Quanto aos exemplos de figuras que tem aversão às redes sociais, fica a dica: se o estudante fez o comentário sobre a ausência do diretor, será - uma hipótese, apenas - que não haveria qualquer razão nisso? E se ao invés de ter excluído o perfil, ele o tivesse respondido? Porque, convenhamos, o fato de ter "saído" da rede não quer dizer que os problemas também deixaram de existir. Não seria mais prudente resolvê-los?

Sobre o famoso articulista... Bem, este caso é mais complicado. Talvez Zuck possa analisar o grande problema que os perfis mortos causam... ou criar uma rede pós mortem, para que os entes queridos sejam para sempre lembrados - só que não. O aspecto comercial a que o articulista se refere está relacionado às empresas que criaram perfis nas redes sociais. Talvez - também, apenas uma hipótese - elas tenham notado, ao contrário do diretor - que interagir com seus clientes por este meio estreita as relações com o consumidor e permite que haja maior confiança; o usuário com certeza optará pela empresa que se preocupa com suas críticas e opiniões.

E sobre os rapazes sem camisa... Bem, suponho que ele também nunca vá a praia. Não sabe o que está perdendo...




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